Coma comida, fuja dos produtos alimentares processados [filme]

Vivemos numa permanente confusão quanto às melhores escolhas alimentares: os nossos hábitos de comer estão permanentemente submetidos às pressões das indústrias agro-alimentares; isto não ocorre por acaso, estamos inseridos numa cadeia alimentar assente nos triunfos da produtividade, designadamente a partir do milho, que passou a ser tratado como uma pura matéria-prima que veio definir o corte que se instalou entre o produtor de alimentos e os consumidores.

A sociedade de consumo em que vivemos triunfou graças à energia fóssil, ao milho, aos fertilizantes, à agricultura intensiva. Progressivamente, fomos avançando para os alimentos processados, cujo constituinte básico é o milho. A indústria alimentar está confrontada com condicionantes intransponíveis: faça-se o que se fizer, cada um de nós pode comer apenas cerca de 700 kg por ano. Só há duas opções para as poderosas indústrias: descobrir como levar as pessoas a gastar mais dinheiro pelos mesmos 700 kg de comida ou tentá-las a comer mais do que isso.

Hoje estamos cada vez mais condicionados pelos milhares de substâncias comestíveis que se vendem nos supermercados. Esquecemos muitas vezes o tomate, a cebola, a alface ou a beringela em detrimento de produtos inventados nos laboratórios. é aqui que se anda a remexer na química e a aprofundar as tecnologias alimentares: aromas, novos gostos, novas cores, falsos açúcares, falsas gorduras, falsos amidos… As indústrias agro-alimentares têm um pacto estabelecido com as ciências da nutrição e com um certo tipo de jornalismo que muito contribui para aumentar a confusão que rodeia os dilemas do omnívoro.

O filme  “Alimentos SA”, que pode assistir mais abaixo, mostra-nos como é que as substâncias invisíveis se impuseram no mercado.

A factura deste novo regime alimentar não é contabilizável: são as doenças da civilização, como a obesidade, a diabetes, as doenças cardiovasculares, a hipertensão, o stress e um conjunto específico de cancros relacionados com a dieta.

Deu-se a industrialização de toda uma cadeia alimentar, com um inerente processo de simplificação química e biológica. E aqui estamos, perante uma espantosa variedade de produtos alimentares a par de uma redução de alimentos, já que milhares de variedades de origem vegetal e animal deixaram de ser comercializados no último século. É este o paradoxo mais gritante do nosso tempo: dizem que comemos melhor, no entanto é a medicina que está a manter vivas as pessoas, porque o regime alimentar ocidental, faz adoecer.

Existem alternativas?

Com certeza que sim!  Deixar de comer segundo o regime alimentar ocidental. Sabe-se que não é fácil, vivemos numa atmosfera de sedução em torno dos alimentos processados em que estes processos industriais já invadiram muitos alimentos integrais.

- Evitar produtos alimentares que contenham ingredientes impronunciáveis;
- Evitar produtos alimentares que se auto-intitulem benéficos para a saúde;
- Dar primazia aos vegetais, sobretudo às folhas;
- Aprender a comer como um omnívoro, adicionando novos alimentos, atitude que irá favorecer a biodiversidade, aprecie o que comem os franceses, os italianos, os japoneses, os indianos ou os gregos;
- Tentar não comer sozinho, é isso que o marketing dos produtos alimentares pretende, é dar-lhe umas coisas que sugerem que são comida para se empanturrar de gorduras e açúcares;
- Aprender a subverter o nutricionismo, habitue-se a cozinhar com alimentos naturais;

O nutricionismo é mais uma ideologia que uma ciência, ao serviço da indústria alimentar, dos anunciantes que dão as suas ordens aos media e aos governos que se deslumbram com estas indústrias de produtos que sugerem a comida.

Fonte: Vidas Alternativas

Mas assista agora ao documentário, e veja como toda esta industria alimentar funciona.

Titulo: Alimentos SA / Duração: aprox. 01:35:00 / Legendado em português

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